Capital da parafina, SP é a cidade sem praia com mais surfistas no mundo

A conquista do bicampeonato mundial pelo paulista Gabriel Medina nas ondas de Pipeline, no Havaí, em dezembro, aumentou a visibilidade nacional do surfe. E, mesmo localizada a quase 70 quilômetros do litoral mais próximo, a cidade de São Paulo tornou-se um polo do esporte da água salgada. A metrópole famosa pelos negócios e pela gastronomia reúne cerca de 150 000 praticantes, segundo estimativa da revista Almasurf. “Trata-se da cidade não litorânea com o maior número de surfistas em todo o mundo”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria e dos Esportes com Prancha, Romeu Andreatta.

Esse contingente tem um impacto forte no mercado: a capital movimenta mais de 1,5 bilhão de reais por ano no comércio de surfwear, com roupas, acessórios ou equipamentos da modalidade. Isso significa que nada menos que 25% do consumo de surfe no Brasil ocorre num local sem uma mísera praia. “O recente destaque internacional do Brasil no esporte ajudou ainda mais no aquecimento das vendas”, explica Guilherme Dembitzky, representante comercial da californiana Quiksilver, uma das líderes mundiais do setor.

A influência do esporte por aqui pode ser conferida em endereços espalhados por várias regiões. O bairro de Moema, na Zona Sul, por exemplo, é um ponto de concentração de algumas das mais tradicionais surf shops da cidade, como a Flutuar e a Surfers Paradise. Por ali é possível adquirir pranchas prontas, mas se a ideia é ter um equipamento sob medida, a melhor alternativa é recorrer a um shaper. Mais conhecido como Akiwas, Alexandre Flora modela até cinquenta pranchas por mês em sua fábrica na Vila Romana, na Zona Oeste. Já o Lar Mar, localizado em Pinheiros, reúne bar, restaurante e loja de acessórios em um ambiente com decoração e cardápio de inspiração “praiana”.

Eventos ajudam a manter os surfistas paulistanos motivados mesmo nos momentos de mar flat (sem ondas). O Festivalma, que aborda a cultura do esporte, terá sua 13ª edição a partir do dia 25, na Avenida Paulista. Para novembro está marcado o The Board Trader Show, que reúne fabricantes do segmento. Uma série de serviços também está à disposição de quem pretende descer a serra para encarar as esquerdas e direitas de nosso litoral. Com sede nos arredores do Parque Ibirapuera, na Zona Sul, o site Waves fornece previsão das condições do mar de 180 praias da costa brasileira e recebe mais de 700 000 visitantes por mês. “Somos o segundo maior portal de surfe do mundo”, diz o fundador, Cláudio Martins de Andrade.

O surfista paulistano rompe com o surrado estereótipo do sujeito que vive à espera do próximo swell (série de ondas). Muitos dos nossos donos de prancha trabalham no mercado financeiro, como o economista Lucas Freitas, que usa suas raras brechas para manter regularidade na remada. Antes associado aos homens, o surfe também ganha espaço entre o público feminino, com 17% dos praticantes da capital. Um exemplo disso é a empreendedora Victoria Muratore, ex-iFood e Gympass, que já chegou ao escritório com sal atrás das orelhas após uma sessão matutina no Guarujá. Nos quadros espalhados pelas páginas desta reportagem, você confere algumas das histórias e locais que ajudaram a transformar a urbana São Paulo em uma das mecas do surfe.

O pico da vez é a Avenida Paulista

Com uma série de eventos sobre a cultura do surfe, a 13ª edição do Festivalmacomeça no próximo dia 25 e se estende até 3 de fevereiro no Centro Cultural da Fiesp, na Avenida Paulista. A programação inclui shows de bandas como Nomade Orquestra, do rapper Black Alien e uma exposição que se propõe a contar a história do esporte por meio de uma coleção com mais de 100 pranchas de diversos períodos.

Fonte: Veja São Paulo

https://vejasp.abril.com.br/cidades/surfistas-paulistanos-capa/?fbclid=IwAR0WI7wUVzjY3Gdbj0A2ovRqI1q4rowNVd60m9VxYRblJ239i07gvbonZeg

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