Arnaldo explica disco em que expõe atritos, afinidades e contrastes entre rock e samba

Com 13 músicas (sendo 12 inéditas) e produção de Curumin, o álbum RSTUVXZ, de Arnaldo Antunes, será lançado na próxima sexta-feira, 25 de maio. No disco, o cantor e compositor paulistano expõe afinidades, atritos e contrastes entre rock e samba, ritmos dominantes no repertório autoral, ainda que o disco feche com um acalanto, Orvalhinho do mar, parceria de Arnaldo com Marcia Xavier, autora da foto acima.

É o próprio artista quem explica e conceitua o álbum RSTUVXZ em texto escrito sobre a gênese deste projeto há anos arquitetado pelo ex-integrante do grupo Titãs. O repertório é formado pelas músicas A samba (Arnaldo Antunes), Se precavê (Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer), Amanhã só amanhãEu todo mundoTambém pede bisPense duas vezes antes de esquecer (Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Ortinho), Quero vocêSerenata de domingoMedo de serDesistiu de mimCéu contra o muro (Arnaldo Antunes e Paulo Miklos), De trem, de carro ou a pé e já citada Orvalhinho do mar (Arnaldo Antunes e Marcia Xavier).

Eis o texto de Arnaldo Antunes sobre o disco RSTUVXZ:

“Sempre agi, antropofagicamente, tropicalistamente, ou apenas brasileiramente, como ouvinte ou compositor de músicas de gêneros diferentes, com muita naturalidade. Gosto do trânsito de informações, da mistura, e invisto geralmente minha energia em borrar as fronteiras entre diferentes territórios musicais, contra a rígida demarcação deles.

Dessa forma, não pude deixar de me encantar, ainda muito jovem, pelas sínteses entre samba e rock feitas por Gil, Caetano, Jorge Ben Jor, Tom Zé e Novos Baianos, entre outros, incluindo a emblemática Mosca na sopa, de Raul, que fazia uma colagem dos dois ritmos demarcando refrão e estrofes. Quando presenciei ao vivo, pela primeira vez, a aproximação da bateria de uma escola de samba em um desfile no sambódromo, pensei logo (e declarei em entrevista na ocasião): ‘Isso é que é rock’n roll!’. Mais recentemente, apreciei as fusões realizadas por Nação Zumbi e Baiana System, além da viagem de Marcelo D2 ‘em busca da batida perfeita’.

O namoro entre samba e rock vem se revelando em vários sintomas no meu trabalho. Da criação de uma jam de sambas (Noel, Lamartine, Bezerra da Silva entre outros) convertidos em rock no Aeroanta, em São Paulo, no início dos anos 1980, junto com Branco Mello, Akira S, Pamps (do Smack), Helcio Aguirra e Paulo Zinner (do Golpe de Estado) à participação, ainda com os Titãs, também nos 80, do fraterno show Samba Rock, concebido por Waly Salomão.

Da recriação de canções de Adoniran Barbosa em iê iê iê para o programa Som Brasil, da Globo, à participação dos Demônios da Garoa em meu DVD Ao vivo lá em casa (e minha participação depois no DVD deles). Da gravação de Eu vou ficar aqui por Elza Soares (com quem tive a honra de dividir o palco algumas vezes) à composição de Talismã, parceria com Paulinho da Viola e Marisa Monte.

Das releituras de A razão dá-se a quem tem (Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves), Judiaria (Lupicínio Rodrigues), Juízo final (Nelson Cavaquinho e Elcio Soares) e Vou festejar (Jorge Aragão, Noemi Dias e Dida) como rocks à tradução de Exagerado (Cazuza, Leoni e Ezequiel Neves) em bossa nova, acompanhado pelo violão de Cezar Mendes.

MAURO FERNANDES / G1.GLOBO.COM.BR

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